Journey Into Healing
Dedicated to you Doc, who showed me it is all worthwhile! Você é tudo de bom!Arquivo de Poesia Sufi
Amor, Harmonia e Beleza
Como as palavras, amor, harmonia e beleza, deliciam o coração de todos os que ouvem! Pode-se perguntar: “O que pode haver nessas palavras que seja capaz de exercer um tamanho poder natural sobre a alma humana?”
A resposta é que se existe algo na vida exerce atração sobre a alma humana, esse algo é o amor e a beleza. Se alguém perguntar: “E o que mais além desses?”, a resposta será: “Nada mais há.” Por que assim? Por que eles são a própria natureza da vida, O amor é a natureza da vida, a beleza é a conseqüência da vida, a harmonia é o meio pelo qual a vida realiza o seu propósito, e a carência deles resulta em destruição.
Quando refletimos a respeito de toda a Criação, não podemos deixar de ver que o seu propósito é expressar um ideal de amor, de harmonia e de beleza. O amor não poderia ter se manifestado se nada houvesse para amar, os olhos não poderiam ter visto se nada houvesse para ver. O que o amor poderia fazer se não houvesse beleza? O amor teria sido silencioso. Só se pode dizer que o amor existe depois que ele passou do silêncio à expressão.
Agora vem a pergunta: “O que faz a beleza?” A resposta é que foi o amor que fez a beleza. Quando um sufi chama vocês de “Bem-Amado de Deus”, ele tem essa idéia em mente. Tudo o que Deus criou, Ele criou a partir do Seu amor, Ele criou para ser amado por Ele, e portanto tudo o que Ele criou e todas as Suas criaturas são os Seus Bem-Amados.
Nós, seres humanos, temos os nosso preconceitos. Gostamos de uma pessoa, não gostamos de outra; consideramos uma digna de alta estima, e outra digna apenas de baixa estima. Mas, para Deus, elas são todas semelhantes; elas são a Sua criação. É exatamente como seria para um poeta se um pequeno fragmento de papel no qual está escrita a sua canção fosse jogado fora, ou se perdesse ou carecesse de estima. Como poderia ele cantar sem a sua voz? Assim acontece com o criador; Ele não pode ficar contente quando Seus pequenos fragmentos de papel não são apreciados.
Deus é amor, E Ele criou o homem a partir do Seu amor. Como então pode Ele ficar contente se uma pessoa odeia ou se tem preconceito contra um companheiro, pois essa pessoa esquece que, por mais indigno que esse companheiro possa parecer, ele é, não obstante, o bem-amado de Deus? Ele o criou para amá-lo. Portanto, Deus, o Pai e a Mãe de todos os seres, está igualmente contente com todas as Suas criaturas.
Porém, uma coisa não é mais bela do que a outra, uma pessoas mais do que outra, tanto exterior como interiormente? Qual é a razão disso?
Descobrimos a razão quando consideramos a obra de um artista, de um poeta, de um compositor musical, de um escritor. Podemos reconhecer que uma composição é muito mais bela do que a outra. Uma pintura talvez possa ser a melhor que o artista pintou em toda a sua vida. O poeta pode se perguntar: “Eu escrevi este verso? De onde ele pode ter vindo? É tão superior a todos os outros; é maravilhoso como estas palavras me ocorreram.”
Assim como reconhecemos isso na poesia, também o reconhecemos na obra do Criador. Ao mesmo tempo, o amor é o único poder que tem criado, ou pode criar.
Dessa maneira, Deus se torna o amante e, ao mesmo tempo, a manifestação ou o objeto do amor. Em sânscrito, isso é chamado pelos místicos de Shiva e Shakti, ou Purusha e Prakriti, ou Iswara e Maya, esses três pares de palavras. Uma parte é o amor, e a outra parte é a beleza. O amor criou a beleza a fim de que ele pudesse ser capaz de amor. Deus é o amor; é pó isso que Ele é chamado de o Criador. Apenas o amante tem o poder de criar, e aquilo que ele cria tem o propósito de receber o seu amor.
O Profeta disse: “Deus é belo, e Ele ama a beleza.” Ora, a palavra belo não se refere à forma de Deus. Deus é sem-forma. Ele não tem personalidade até manifestar a Si Mesmo para Si Mesmo. Portanto, não é Sua personalidade que é bela, pois Deus está além daquilo que, no sentido comum da palavra, é chamado de personalidade.
Todas as coisas que fazemos são obras de nossas mãos. Somos os criadores dessas coisas, e somos maiores que nossas mãos. É assim com o amor. O amor é maior que a beleza, pois o amor é o criador da beleza que é amada pelo amor de sua vida.
Não há dúvidas de que, ao amar, o amor se torna limitado como a beleza, mas, então é este o propósito do amor. Se não houvesse beleza, o Seu amor não poderia ter realizado a alegria latente de sua própria natureza. A alegria de sua existência se extinguiria.
Tão logo sejamos capazes de pensar dessa maneira, passamos a reconhecer que o amor é mais amplo, incomparavelmente mais amplo que o objeto que ele ama. O verdadeiro amor, a verdadeira beleza, está no amante. O objeto que ele ama é muito menor, embora, no momento, o amante não esteja ciente da diferença. O amante pensa: “Você é o objeto diante do qual eu me curvo. Você é o objeto a respeito do qual eu penso dia a enoite, diante do qual eu não tenho defesas. Você é o objeto que eu admiro, que adoro.” No entanto, ele não compreendia a vastidão do seu amor, e de fato, estritamente falando, a vastidão do amor é maior do que o amante.
Quando as pessoas começam a aprender a lição do amor, elas estão propensas a se assustar diante da dor e das dificuldades e dos aborrecimentos que terão de enfrentar em nome do amor. Quando comparam a condição delas como a dom bem-amado, pensam que o bem-amado está em muito melhor situação que elas. “Aquele que arrebata o meu pensamento, que me causa dor, que fere o meu coração, é muito mais feliz.” E elas prosseguem pensando: “Se eu fosse o bem-amado, seria muito melhor.” Toda alma experimente esse pensamento, mas, depois que ela tiver subido em cima dele, então ela começará a conhecer o amor. A alma que não escapou desse pensamento não consegue compreender a plenitude do amor.
Há um outro lado do amor, e esse lado é o egoísmo, e o amante precisa escapar dele. O verdadeiro amante diz: “darei tudo, suportarei todas as coisas, todas as torturas, todos os tormentos que precisarem ser enfrentados na vida. Eu me curvarei humildemente antes que qualquer coisa aconteça comigo. Darei tudo o que tenho. Suportarei todas as coisas, acreditarei em todas as coisas, esperei por todas as coisas e sofrerei por todas as coisas.”Mas o que o outro lado do amor diz: “Você está louco? Você perdeu a razão? Você é tolo. Por que toda essa lamentação? Veja quão feliz é o bem-amado. Seja feliz como ele, e esteja em sua posição exaltada, em vez de ficar nessa humildade e degradação. Ingresse naquela grandeza e não nessa destruição.” Então, ele recupera a razão e finalmente entende. Uma coisa leva a destruição, a outra promete segurança. Porém, na destruição está a mão de Deus, ao passo que na segurança está a mão de Satã. Todas as coisas egoístas são ensinadas por esse poder e por esse conhecimento que é inimigo da humanidade. Satã é um inimigo porque ele afasta do homem do propósito de sua vida. Ele procura fazer com que o amante troque de lugar com o bem-amado, e diga: “Sua posição é melhor do que a minha; por isso, eu gostaria de ser como você.” E talvez o amante espere durante toda a vida para conseguir essa posição cobiçada, e ele nunca irá chegar porque o bem-amado não entregaria a riqueza quando a oportunidade estivesse presente.
A vida de uma pessoa muda totalmente depois que ela se fundo no fogo do amor. Este a exaltará a ponto de o seu poder chegar até mesmo a influenciar animais e pássaros; o sábio e o tolo são igualmente atraídos para essa pessoa. Depois que for purificada, queimada no fogo do amor, ela se tornará a atração de cada alma, de cada ser, seja ele invisível ou visível. É apenas o conselho de Satã que a impede disso. O Mestre é aquele que sofre. Nós, com freqüência, refletimos sobre Jesus Cristo lavando os pés dos seus discípulos. Que beleza há nesse serviço, nessa humildade! Seríamos capazes de encontrar essa beleza num homem orgulhoso? Poderia um homem orgulhoso conquistar os corações do mundo por séculos e séculos? O homem orgulhoso é conduzido por Satã; ele se torna frio e egoísta, tendo apenas a si mesmo como referência. Todos na sua presença se congelam, pois na sua presença é como gelo e não pode transmitir conforto.
Porém, quando é generoso aquele que passou por todo o sofrimento! Houve algo mais na vida de Cristo a não ser perdão e tolerância? Sempre perdoe, sempre tolere, disse ele. Foi porque o amor no coração do mestre era tão grande que esse amor atraía a todos. O amor era toda a filosofia que os seus pescadores podiam entender, e, se o amor fosse colocado antes da filosofia e da religião, quão devotados se tornariam os devotos. Os animais e os pássaros seriam atraídos pelo poder do coração do homem inflamado de amor. De qualquer maneira, o homem só faz afugentar o amor à mínima suspeita do seu aparecimento, e, desse modo, o amor nunca quer se aproximar dele.
Sufi Message
Aberto a todas as formas
Meu coração está aberto a todas as formas:
É uma pastagem para as gazelas,
E um claustro para os monges cristãos,
Um templo para os ídolos,
A Caaba do peregrino,
As Tábuas da Torá,
E o livro do Corão.
Professo a religião do amor,
E qualquer direção que avancem Seus camelos;
A religião do Amor
Será minha religião e minha fé.
Ibn’ Arabi